10 julho 2008

Cada um...

Cada um que passa em nossa vida passa sozinho...
Porque cada pessoa é única para nós,
e nenhuma substitui a outra.
Cada um que passa em nossa vida passa sozinho,
mas não vai só...
Levam um pouco de nós mesmos
e nos deixam um pouco de si mesmos.
Há os que levam muito e os que levam pouco,
mas não há os que não levam nada.
Há os que deixam muito e os que deixam pouco,
mas não há os que não deixam nada.
Esta é a mais bela realidade da vida...
A prova tremenda de que cada um é importante
e que ninguém se aproxima um do outro por acaso...
[Saint Exupery]

02 julho 2008

Dá que pensar


Ando com uma tristeza...
Deve-se essencialmente ao ritmo com que têm sido publicados os materiais de catequese editados pelo Secretariado Nacional da Educação Cristã, vulgarmente chamados «Novos Catecismos».
Andava eu com isto na cabeça e no coração quando me enviam, num dos muitos e-mails que circulam pela rede, este poema:




Na primeira noite, eles se aproximam
e colhem uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem,
pisam as flores, matam nosso cão.
E não dizemos nada.

Até que um dia, o mais frágil deles,
entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua,
e, conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.

E porque não dissemos nada,
já não podemos dizer nada.

Maiakovski



Em breve, escreverei sobre este assunto.

28 junho 2008

Símbolos Paulinos


• Primeiro, as datas de início e conclusão do ano Paulino, desde hoje e até ao dia 29 de Junho do próximo ano, para comemorar os dois mil anos do nascimento de São Paulo, quando este era ainda Saulo, de Tarso, judeu exemplar, fariseu convicto e exímio perseguidor de cristãos.

• Logo depois, a Cruz da qual disse São Paulo: «Quanto a mim, de nada me quero gloriar, a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo». Paulo abraçou com todo o amor a Cruz de Cristo, nas suas tribulações, calúnias, sofrimentos, prisão e, por fim, no seu martírio.

• Seguem-se os nove anéis das algemas, que, segundo a tradição, mantiveram São Paulo, preso em Roma. Paulo não hesita em definir-se, várias vezes, como "prisioneiro de Cristo", apoiado na força de Deus, por amor dos pagãos. Ele sente-se também «prisioneiro do Espírito», impelido pelo sopro do Espírito Santo, que o conduz, de cidade em cidade, a anunciar a Boa Nova!

• A espada é, sem dúvida, o grande símbolo de São Paulo. Esta espada é o símbolo do verdadeiro “soldado de Cristo”, do grande combatente e sofredor! Mas a espada, sugere também o vigor penetrante da Palavra de Deus, que é “como uma espada de dois gumes”, é uma palavra cortante, que fere e cura; é uma palavra penetrante, que vai até ao mais íntimo de nós mesmos. A espada é, por fim e sobretudo, o instrumento com que São Paulo foi martirizado em Roma, no tempo da perseguição de Nero, nos anos 64 a 65.

• Não podia faltar, entre os símbolos paulinos, o grande livro, que representa os escritos de São Paulo, as suas treze Cartas, que lemos praticamente, em quase todos os domingos, ao longo do ano, como segunda leitura;

• Por fim, a chama, que exprime a paixão ardente, o fogo da caridade, o calor da ternura paterna e do amor maternal, com que São Paulo formou e gerou, pelo evangelho tantos filhos para a fé. Esta chama manifesta ainda a extrema afectividade e calor humano que Paulo mantém com todos os seus colaboradores e fiéis.

Começa hoje o Ano Paulino!


22 junho 2008

Igreja e Gestão

Na semana que terminou, o Episcopado português esteve reunido em Fátima a realizar mais uma das suas jornadas pastorais, desta vez em torno dos temas da gestão e liderança.
Tive oportunidade de participar nessa iniciativa: foi fabuloso ver os nossos Bispos a reflectir sobre o que é liderar, visão estratégica, dinâmicas de mudança… Foram ajudados por profissionais extraordinários, quer da ACEGE, quer da McKenzie.
Mas de nada serviria, ou melhor, estaria descontextualizado se não fosse a primeira intervenção: a conferência do Bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto, intitulada «Critérios evangélicos e pastorais para a liderança e para a gestão de pessoas e administração dos bens ao serviço da Igreja “Comunhão e Missão”».
Permitam-me realçar um item da sua comunicação e que consta do esquema divulgado a todos os participantes.


O ícone, por excelência, do líder: Jesus que lava os pés dos apóstolos

Jesus introduziu no mundo um novo estilo de liderança em nítido contraste com o estilo dos líderes das nações. Ele mesmo se apresenta como modelo para aqueles a quem confia o encargo pastoral das comunidades. O ícone, por excelência, da autoridade na comunidade cristã é o “Lava-pés” dos apóstolos que sintetiza a experiência de Jesus como liderança de serviço: “Compreendestes o que eu vos fiz? Vós chamais-me ‘o Mestre’ e ‘o Senhor’, e dizeis bem. Ora, se eu, o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós vos deveis lavar os pés uns aos outros. Na verdade, dei-vos exemplo para que, assim como eu fiz, vós façais também.”
Três imagens bíblicas exprimem este modelo do Mestre e Senhor:
- o servo, numa perspectiva de serviço à graça de Deus e à comunidade, de apoio e de partilha de responsabilidades;
- o pastor, em ordem à solicitude, à coragem e ao papel de guia;
- o administrador, em ordem à afabilidade, à responsabilidade e à fidelidade.