12 junho 2008

Convite


«Cada pessoa precisa de um “centro” na sua vida, de uma fonte de verdade e de bondade à qual recorrer na sucessão das diferentes situações e no cansaço da vida quotidiana.
Cada um de nós, quando se recolhe, precisa sentir não somente o palpitar do coração, mas, de maneira mais profunda, o palpitar de uma presença fiável, perceptível com os sentidos da fé e que, no entanto, é muito mais real: a presença de Cristo, coração do mundo.
Eu vos convido, portanto, a renovar no mês de Junho a vossa devoção ao Coração de Cristo, valorizando também a tradicional oração de oferecimento do dia e tendo presentes as intenções que proponho a toda a Igreja.»


Bento XVI, Ângelus 01/06/08

11 junho 2008

Bênção dos Sentidos

O Espírito Santo de Deus
conduz-me e guia-me
para que eu possa conhecer Jesus Cristo,
ouvir a Sua voz,
ver a luz de Deus
e responder à sua Palavra.

Assim, sobre mim mesmo, eu:

- Faço o sinal da cruz na FRONTE
para que Cristo me fortaleça com o sinal do seu amor
e eu aprenda a conhecê-l’O e a segui-l’O…

- Faço o sinal da cruz nos OUVIDOS
para ouvir a voz do Senhor…

- Faço o sinal da cruz nos OLHOS
para ver a luz de Deus…

-Faço o sinal da cruz na BOCA
para responder à Palavra de Deus…

-Faço o sinal da cruz no PEITO
para que Cristo habite, pela fé, no meu coração…

- Faço o sinal da cruz nos OMBROS
para levar sempre o jugo de Cristo que é suave…

- Faço o sinal da cruz,
em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo,
para ter a vida pelos séculos sem fim.
Ámen

08 junho 2008

Já agora, vale a pensa pensar nisto?

05 junho 2008

Há dias...


Há dias em que sei – eu sei sempre –, mas há dias em que é mais evidente que as pessoas não morrem, partem.
Partem, mas não morrem, porque continuam vivas e bem vivas na minha vida.
A pessoa que sou deve-se a cada uma das pessoas que me amou e eu amei. Por isso, enquanto eu viver, saberei que elas também vivem, através de mim, bem guardadas naquele canto do reservado de mim, onde só vai quem eu quero.
Estão lá, e é lá que eu as posso visitar, falar e escutar… E de lá sai aquela frase de sempre: sê tu mesmo, sê livre, vive…
...para que amanhã outros possam viver por ti.

Uma metáfora pastoral!!


Chamam-lhe o "Manso" e é uma lenda entre os pescadores de Sesimbra. Pescava tanto que se dizia que fazia nascer peixe no mar. O seu barco, o Luís Adrião, que está hoje no fundo do mar, depois de um naufrágio que matou o seu novo proprietário, trazia as redes sempre cheias. Nunca ninguém soube como o velho "Manso" conseguia aquilo. Era um mistério numa comunidade piscatória sazonalmente invadida por ondas de miséria. Mas eu falei com Teodoro "Manso", na altura já com 70 anos, e ele contou-me tudo.

O segredo do "Manso" é que ele "vivia com o peixe". Ele próprio mo explicou. "Sonhava com o peixe." Conhecia as várias espécies como se fossem da sua família. Os hábitos, as manhas, a inteligência de cada uma.

"Os peixes deslocam-se no mar como os pássaros no céu, em fila", dizia ele. "Basta olhar o céu para saber o que se passa no fundo do mar." Os peixes, continuava, "são como as pessoas. Têm as suas manias. Se os conhecermos, se vivermos com eles, temos mais hipóteses de os apanhar".

Há peixes pouco inteligentes, que são traídos pela Lua. "Têm medo da luz, e vão para a fundura. Se estiver escuro, pensam que ninguém os vê." Nestes casos, a Lua indica a direcção em que se deslocam os cardumes. Mas mesmo os peixes mais inteligentes, como por exemplo o sargo, têm as suas fraquezas. "O sargo vê um anzol e não vai lá porque sabe que está ali um pescador. E se apanharmos um, temos de lavar as mãos ao pôr o isco de novo, ou não apanhamos mais nenhum. Eles sentem o cheiro, e sabem. Os sargos andam sempre junto à costa. Dizemos que eles gostam de ver passar os automóveis. Aí, são muito difíceis de apanhar. Escondem-se nos rochedos. Uma vez dei com um com a cabeça de fora, a olhar para mim, como quem diz: queres apanhar-me? Pois anda cá, a ver se eu deixo."

Em certas alturas, porém, os sargos são de uma inexplicável imprudência. Após a desova, deslocam-se em cardume e deixam-se apanhar com facilidade. "As mulheres quando engravidam também têm desejos extravagantes. Apetece-lhes comer carvão e coisas assim. Com o peixe é a mesma coisa. Deixam os filhos e pensam: vocês já estão aí, a gente agora vai dar uma volta. Não sei se é loucura do peixe..."

As sardinhas também têm hábitos muito humanos. É a sua maior fragilidade. "A sardinha vai às zonas com rochas, para se alimentar, passar a noite, como nós vamos ao café. Depois volta para a profundidade, poque se acha insegura ali. A sardinha é um peixe friorento. No Inverno, vai para o fundo, onde as águas são mais quentes." E é aí, meio enterradas na areia, que dormem. Mas deitam-se tarde. "Sabe, quando vamos com os amigos, à noite, beber uns canecos... Já não nos víamos há tanto tempo e tal... Chega aí uma altura, lá para as cinco, seis da manhã, em que dá uma dormência... A gente tem de se encostar um bocado... Pois com a sardinha é a mesma coisa." É a hora certa para as apanhar. Vai-se com cuidado e lançam-se as redes quando elas acordam, estremunhadas. Não falha. Eram grandes pescarias. "Eu encostava o ouvido ao fundo do bote e até as ouvia ressonar", jurou-me o "Manso".

[Paulo Moura, "Viver com os peixes". Público. P2, 30.05.2008, 3]