23 maio 2008
Jesus Cristo, fonte de sentido!
É relativamente recente, na história do pensamento, a abordagem do problema do sentido como uma questão separada. A normalidade era considerar que a referência sobre o ser implicava, necessariamente, a referência ao sentido. Na metafísica clássica, o que se considerava ser era o que por sua vez possuía sentido, de tal modo que «o ser e sentido deste equivaliam aproximadamente à mesma coisa» (Ferrater Mora).
Mas actualmente, a questão do sentido une todos os homens; é a profunda inquietação sobre o sentido da vida, em que toda a Humanidade está unida. A interrogação sobre a condição humana revela o homem como uma interrogação para si mesmo. E um problema ao qual não pode escapar, correndo o risco de se negar. O problema agudiza-se ainda mais quando se torna evidente que nada do que se faz tem valor; a literatura, a filosofia e a teologia referem o problema supremo que é o homem, em busca de uma resposta sempre inacabada.
Mas actualmente, a questão do sentido une todos os homens; é a profunda inquietação sobre o sentido da vida, em que toda a Humanidade está unida. A interrogação sobre a condição humana revela o homem como uma interrogação para si mesmo. E um problema ao qual não pode escapar, correndo o risco de se negar. O problema agudiza-se ainda mais quando se torna evidente que nada do que se faz tem valor; a literatura, a filosofia e a teologia referem o problema supremo que é o homem, em busca de uma resposta sempre inacabada.
Perante a morte e o problema do antes e do depois, não se pode deixar de colocar a questão do sentido. E quando a sede de sentido se agudiza, pode chegar-se ao desespero, ao suicídio.
A resposta à questão do sentido é, normalmente, herdada do ambiente familiar, social ou religioso circundante. Há, pois, uma infinidade de sentidos, desde os primórdios da humanidade até hoje. Exemplo disso são a história das religiões, da filosofia e da literatura. E mesmo da arte.
Perante as diversas vagas de sentido, que chegam até a contradizer-se, surge a inevitável pergunta se não haverá um verdadeiro sentido que acabe por se impor? As várias posições podem ser agrupadas em quatro tipos.
A resposta à questão do sentido é, normalmente, herdada do ambiente familiar, social ou religioso circundante. Há, pois, uma infinidade de sentidos, desde os primórdios da humanidade até hoje. Exemplo disso são a história das religiões, da filosofia e da literatura. E mesmo da arte.
Perante as diversas vagas de sentido, que chegam até a contradizer-se, surge a inevitável pergunta se não haverá um verdadeiro sentido que acabe por se impor? As várias posições podem ser agrupadas em quatro tipos.
A dos sôfregos, que se entregam avidamente à vida, tentando auferir dela tudo o que seja possível, esperando encontrar aí todas as respostas para as aspirações humanas.
A segunda atitude, pessimista, é a dos que, opostamente, defendem uma solução radical: a negação franca e brutal, o nihilismo. Mas qualquer concepção ou desejo do nada não pode ser feita senão afirmando uma outra coisa. De facto, a afirmação do nada é o grito de desespero do amor absoluto da pessoa decepcionada com a insuficiência do fenómeno, da aparência (Maurice Blondel). Não será o desejo inconfessado de que exista algo, uma aspiração mais profunda, que exista Alguém?
A posição rebelde surge quando o homem descobre que já não é livre, nem dono, antes se vê escravizado. Só quando se rebela é que é realmente homem. A morte de Deus apregoada por Nietzsche dá lugar à rebelião contra tudo o que tente substituir a divindade desaparecida. A salvação é terrena e sem Deus. Marx quer libertar o homem da exploração económica, substituindo o explorador pelos explorados. Freud tenta a libertação de todos os mecanismos inconscientes que aprisionam o homem.
Sarte e Camus vêem na vida e na morte o absurdo. Para Jean Paul Sarte, o homem é alguém lançado no mundo sem paternidade nem finalidade: «acordamos em plena viagem numa história de loucos». Por isso, são inevitáveis os sentimentos de abandono e absurdo. O sentido da vida é, agora, o sem-sentido; o homem torna-se um «ser-para-a-morte». Albert Camus, afirmando a absurdo da vida, chega a outra conclusão: deve aceitar-se a absurdidade da vida e exercer aí a liberdade humana para lhe criar um sentido. É o retorno do estoicismo.
Sarte e Camus vêem na vida e na morte o absurdo. Para Jean Paul Sarte, o homem é alguém lançado no mundo sem paternidade nem finalidade: «acordamos em plena viagem numa história de loucos». Por isso, são inevitáveis os sentimentos de abandono e absurdo. O sentido da vida é, agora, o sem-sentido; o homem torna-se um «ser-para-a-morte». Albert Camus, afirmando a absurdo da vida, chega a outra conclusão: deve aceitar-se a absurdidade da vida e exercer aí a liberdade humana para lhe criar um sentido. É o retorno do estoicismo.
Por último surge a postura que reconhece o homem sedento de absoluto, que não se realiza por esta vida, sem contudo negar a possibilidade de vir a realizar-se. Perante a morte, a radicalidade do problema humano faz emergir na consciência a aspiração que habita o homem: realizar-se infinitamente. «Queria era sentir-me ligado a um destino extrabiológico, a uma vida que não acabasse com a última pancada do coração»(Miguel Torga).
A partir da morte pode reconhecer-se, também, a impotência do homem para construir sozinho a sua realização. «O homem é um animal compartilhante. Necessita de sentir as pancadas do coração sincronizadas com as doutros corações, mesmo que sejam corações oceânicos, insensíveis a mágoas de gente. Embora oco de sentido, o rufar dos tambores ajuda a caminhar. Era um parceiro de vida que eu precisava agora, oco tambor que fosse, com o qual acertasse o passo da inquietação»(Miguel Torga). É aqui se abrem duas hipóteses: ou o homem reconhece que a vida terrena — projecto e aspiração a ser mais — tem sentido e abre a possibilidade da esperança de um futuro transcendente; ou aceita que a vida não tem sentido e é o desespero total.
A descoberta do sentido para a vida, integrando o sentido da morte, revela a precariedade e a finitude de uma vida sobre a qual assenta o desejo de absoluto que se espera. É a descoberta da liberdade ansiada, aquela que se tem devido a uma liberdade transcendente. O desejo de liberdade infinita do homem dá lugar à descoberta da condição de possibilidade da liberdade humana: Deus.
A partir da morte pode reconhecer-se, também, a impotência do homem para construir sozinho a sua realização. «O homem é um animal compartilhante. Necessita de sentir as pancadas do coração sincronizadas com as doutros corações, mesmo que sejam corações oceânicos, insensíveis a mágoas de gente. Embora oco de sentido, o rufar dos tambores ajuda a caminhar. Era um parceiro de vida que eu precisava agora, oco tambor que fosse, com o qual acertasse o passo da inquietação»(Miguel Torga). É aqui se abrem duas hipóteses: ou o homem reconhece que a vida terrena — projecto e aspiração a ser mais — tem sentido e abre a possibilidade da esperança de um futuro transcendente; ou aceita que a vida não tem sentido e é o desespero total.
A descoberta do sentido para a vida, integrando o sentido da morte, revela a precariedade e a finitude de uma vida sobre a qual assenta o desejo de absoluto que se espera. É a descoberta da liberdade ansiada, aquela que se tem devido a uma liberdade transcendente. O desejo de liberdade infinita do homem dá lugar à descoberta da condição de possibilidade da liberdade humana: Deus.
A realização humana surge a partir do ser pessoa, da relação.
Mas o sentido é um dom, oferecido pelo mistério do Verbo encarnado. «Na realidade, o mistério do homem só no mistério do Verbo encarnado se esclarece verdadeiramente. [...] Cristo, novo Adão, na própria revelação do mistério do Pai e do seu amor, revela o homem a si mesmo e descobre-lhe a vocação sublime»(GS 22). O mistério do homem revela-se através do mistério de Cristo, chamado a participar da sua filiação. Quando o homem descobre que é amado pelo Pai, em Cristo e através do Espírito, revela-se a si mesmo, descobre a grandeza de ser objecto da benignidade divina, receptor do amor do Pai revelado em Cristo. O mistério trinitário é o único capaz de realizar o homem, é o «mistério iluminador» do sentido (René Latourelle). A expressão desse mistério faz-se pela vivência da comunhão, onde o ser «não sem os outros» (Michael de Certaux) impele para a solidariedade e para o diálogo. Miguel Torga escreve que «a Bíblia, o livro dos livros, nos ensina que não há homem sem homem, e que o próprio Cristo teve, a caminho do Calvário, a fortuna dum cireneu para o aliviar do peso da cruz (a dor incurável da solidão). Para mim, pelo menos — continua Torga —, feito dum barro tão frágil e vulnerável, que necessito de ser amado durante a vida e de acalentar a esperança de continuar a sê-lo depois da morte».
Jesus Cristo, através da sua vida e pregação, é o mediador do sentido, o único intérprete dos problemas humanos. Em Cristo, o homem pode compreender, realizar e superar-se continuamente.
O homem, em Jesus Cristo, pode ver, por fim, realizada a sua identidade. O ser insaciado sacia-se. A essência e a existência humanas têm um espaço de convergência e realização: Jesus Cristo.
Mas o sentido é um dom, oferecido pelo mistério do Verbo encarnado. «Na realidade, o mistério do homem só no mistério do Verbo encarnado se esclarece verdadeiramente. [...] Cristo, novo Adão, na própria revelação do mistério do Pai e do seu amor, revela o homem a si mesmo e descobre-lhe a vocação sublime»(GS 22). O mistério do homem revela-se através do mistério de Cristo, chamado a participar da sua filiação. Quando o homem descobre que é amado pelo Pai, em Cristo e através do Espírito, revela-se a si mesmo, descobre a grandeza de ser objecto da benignidade divina, receptor do amor do Pai revelado em Cristo. O mistério trinitário é o único capaz de realizar o homem, é o «mistério iluminador» do sentido (René Latourelle). A expressão desse mistério faz-se pela vivência da comunhão, onde o ser «não sem os outros» (Michael de Certaux) impele para a solidariedade e para o diálogo. Miguel Torga escreve que «a Bíblia, o livro dos livros, nos ensina que não há homem sem homem, e que o próprio Cristo teve, a caminho do Calvário, a fortuna dum cireneu para o aliviar do peso da cruz (a dor incurável da solidão). Para mim, pelo menos — continua Torga —, feito dum barro tão frágil e vulnerável, que necessito de ser amado durante a vida e de acalentar a esperança de continuar a sê-lo depois da morte».
Jesus Cristo, através da sua vida e pregação, é o mediador do sentido, o único intérprete dos problemas humanos. Em Cristo, o homem pode compreender, realizar e superar-se continuamente.
O homem, em Jesus Cristo, pode ver, por fim, realizada a sua identidade. O ser insaciado sacia-se. A essência e a existência humanas têm um espaço de convergência e realização: Jesus Cristo.
Sonhando a Catequese do Século XXI
Uma catequese que:
1. acolha a pessoa como única e amada por Deus;
2. privilegie atitudes de serviços, diálogo, testemunho e anúncio;
3. tenha seu chão na vida da comunidade que é conteúdo, lugar e meta;
4. seja mergulhada na cultura do povo, entendendo sua linguagem, símbolos, jeito de viver, pensar e celebrar;
5. seja fiel ao Projecto de Deus, acolhendo os feridos, para que conquistem a plena cidadania;
6. assuma o método de Jesus, que vivendo com discípulos, acolheu as situações humanas e as iluminou com a vontade do Pai;
7. incentive os(as) catequistas a aprender a ser, conviver, saber e saber fazer para que sejam testemunho de fé;
8. proponha uma espiritualidade do seguimento, na intimidade com a Palavra e para aprender a ler na realidade humana os recados de Deus;
9. promova uma autêntica comunicação da fé, envolvendo desde a comunicação interpessoal até os meios modernos para anunciar os valores do evangelho;
10. assuma o ministério da Palavra fazendo ressoar no mundo Jesus Cristo, sua vida, seu projecto e seu ensinamento.
21 maio 2008
Cristão Adulto!
A vida adulta é entendida muitas vezes como uma fase de estabilidade, pelo que essa estabilidade é, ela mesma, uma característica de maturidade.
Vamos, pois, ao longo deste texto, percorrer os aspectos nucleares do adulto, vendo-os na sua dimensão também espiritual e religiosa.
Pessoa unificada
Um adulto é alguém que já fez uma primeira unificação da sua personalidade. Todas as dimensões da sua personalidade estão harmoniosamente interligadas. Um cristão adulto faz esta harmonização a partir da sua decisão livre de aderir a Jesus Cristo, pela fé. Esta conversão compromete livremente a cada pessoa que vai adequando a sua conduta na direcção daquilo que vai descobrindo como vontade de Deus. A vida do cristão adulto não é fruto de um determinismo circunstancial, mas sim de um permanente exercício de liberdade. Escolher, em cada caso, de acordo com a vontade de Deus implica o manuseamento de muitas variáveis. Este exercício de discernimento é fruto e gerador de uma personalidade crente equilibrada e madura.
Com convicções
A liberdade e entrega do adulto, geradores de profundas convicções, leva-o a viver com estabilidade, e não ao sabor dos acontecimentos. A coerência cristã deriva das profundas convicções evangélicas que dão forma a uma fé adulta.
Embora o Cristianismo não se reduza a uma mensagem ou a um conjunto de conhecimentos, o adulto assimilou uma estrutura de conteúdos de fé capaz de dar consistência às atitudes e aos comportamentos.
Este maturidade é fruto de um itinerário de crescimento, já realizado, no seio de uma comunidade cristã, acompanhado por um catequista, e onde a sua vida pessoal foi e é relida à luz do Acontecimento pascal de Jesus Cristo.
Responsável
O adulto é responsável e sabe-se consciente por todas as dimensões da sua vida e atitudes, pelo que o seu assumir da vida cristã implica a vivência de uma vocação. A vocação faz de cada cristão responsável por um projecto de vida, fiel à sua identidade de filho de Deus. Este compromisso deriva da sua identificação com o ser e a missão da Igreja, que se traduz no cumprimento da sua responsabilidade eclesial na circunstância e condição a que o Senhor o chamou.
Como membro de uma comunidade, o cristão vive em Igreja, comprometido com o Reino de Deus: é um ser socializado. Por isso, é capaz de estar inserido no mundo, nos diversos âmbitos – família, cultura, economia, política e outras –, como seguidor de Jesus Cristo, colaborando com todas as pessoas para a construção de uma sociedade mais justa e fraterna.
E Humilde
O adulto é também aquele que vive adaptado à realidade que o circunda e às suas próprias capacidades. Esta tomada de consciência dá ao cristão adulto uma convicção firme da sua humildade, que não é falso comodismo, mas sim o assumir que só com a graça de Deus é capaz de viver a sua fé, fiel e livremente.
Sabe-se criatura diante do Criador, filho de Deus Pai. Reconhece que só em Cristo pode obter a salvação e que a sua santificação é resultado da acção do Espírito Santo.
Esta relação com Deus dá ao crente a capacidade de perceber a sua própria vida e a história da humanidade integradas na realização de um projecto que não é seu, mas de Deus. É a referência a este projecto que vai dando sentido e significado aos acontecimentos, mesmo aqueles que parecem negativos podem ser assumidos à luz desta visão mais ampla. É também à luz deste projecto amplo e global, que tem Deus como origem e meta, que o adulto encontra resposta e sentido para as grandes perguntas existenciais que reiteradamente atormentam o ser humano.
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