27 julho 2005

A diversidade de uso da expressão «dignidade da pessoa humana»

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A dignidade da pessoa humana apresenta-se, nos nossos dias, de modo diverso. Para alguns, essa dignidade está baseada na autonomia total do homem, sem nenhuma relação ao Deus transcendente, chegando mesmo a negar a sua existência e o facto de ser o Criador.
Há outros que reconhecem valor intrínseco ao ser humano e a sua autonomia relativa, e postulam a liberdade pessoal. Contudo, põe o fundamento último na relação com a transcendência divina, mesmo que seja entendida de forma diversa.
Há ainda outros, finalmente, que põe principalmente a fonte e a significação do valor do homem, pelo menos depois do pecado, na incorporação em Jesus Cristo, Deus e Homem.

26 julho 2005

A cura de Jesus!







25 julho 2005

Direitos Humanos

A missão da Igreja é o anúncio do querigma da salvação obtida por todos, através de Cristo morto e ressuscitado.
Esta salvação tem a sua primeira origem no Pai, que enviou o Filho e se comunica com os homens concretos, como participação na vida divina, através do Espírito Santo.
À aceitação do querigma corresponde uma nova vida de fé. A graça implica uma conversão que tem muitas manifestações na vida concreta do crente, em qualquer campo de acção da pessoa que se converte a Cristo.
Por tudo isto, a Igreja não pode, no seu múnus de anuncia a Cristo, omitir na sua pregação a proclamação da dignidade e direitos da pessoa humana, que o cristianismo deve respeitar fielmente em todos os homens.
Este direito e esta obrigação do povo de Deus, de proclamar a dignidade da pessoa humana, reveste-se de uma especial urgência no nosso tempo, porque se vê uma carência muito grande de valores humanos e cristãos, por um lado, e por outro se toma cada vez mais consciência das injustiças realizadas contra a pessoa humana.
Felizmente, hoje, reveste-se de destaque especial a proclamação dos direitos humanos na pregação e na vida da Igreja.

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Andaremos por aqui nos próximos tempos...

18 julho 2005

Um Deus que não serve para nada!

No momento de planear a catequese, convém ter presente que o homem moderno julga viver num mundo como se Deus não existisse. Negou a existência de um deus repressivo, frente ao qual o homem fica sem espaço para existir. Contudo, não olhou para o verdadeiro Deus que, não sendo um relojoeiro nem um vingador, se revela como um Deus que, sem perder a identidade, se coloca livremente ao serviço do homem.
A ciência está a desenvolver-se de um modo que a ética é interpelada, alertando para o respeito pela Humanidade, para os direitos e para a dignidade da pessoa humana. É, talvez, esta uma forma indirecta de colocar a questão de Deus na sociedade moldada pela tecnologia, onde a ciência e vista como a plenitude do ser humano, a sua salvação. Será a ciência capaz de responder às questões fundamentais do Homem integral? Fica a interrogação.
Por outro lado, possuímos modos próprios de escutar a realidade, para lhe descobrir os fundamentos e o sentido. Oscilamos e temos dúvidas, mas um observador imparcial poderá ver que estamos a caminhar para o retomo do religioso. Deus, que foi arrebatado das ciências deste século e para o qual Nietzsche anunciou a morte, está de volta nas interrogações do homem.
A admiração é o momento inicial de todo o conhecimento humano. Mas não é no espanto que o crente pode intuir a gratuidade de ser chamado à comunhão com Deus? A maravilha desta graça pode fazer surgir a interrogação sobre as razões da esperança. Nesta dinâmica, revela-se um homem como mistério, em abertura para o mundo, em busca de um sentido sempre maior.

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Deus, ocultado pelo pensamento autónomo, reaparece através da mediação interpessoal, pela admiração e pelo amor. É um Deus que está para além das categorias de necessidade, utilidade e contingência. Não será este o Deus da Sagrada Escritura que, mesmo revelando-se, mantém a sua identidade de totalmente Outro, que não se confunde com nenhuma realização humana?
Com a derrocada dos tradicionais pontos de partida para Deus, o cosmológico e o antropológico, torna-se claro que o homem moderno não precisa de Deus para explicar o cosmos e muito menos para implantar uma antropologia ou ética cheios de sentido. É precisamente aqui, num clima de secularização e indiferença religiosa, de expansão da ciência e da tecnologia, que se coloca a questão de Deus de uma forma totalmente livre e gratuita. Deus, não já como explicação, aparece, então, como dom.
A afirmação pós-moderna da não necessidade de Deus é precisamente o luxo supremo de toda a vida humana. Para os crentes, Deus é o luxo que procuram numa sociedade tecnológica e científica. Neste sentido, Deus é mais que necessário, mas sem se constituir em função da nossa sociedade.
Não nos sentimos nós atraídos por um amor que se atreve ao inútil, ao supérfluo e ao desnecessário? Não será que o Deus de Jesus Cristo necessita dos homens, não para ser Deus, mas sim para ser um Deus dos homens?

15 julho 2005

Movimentos Eclesiais e Catequese - VII

Os novos movimentos são dons eclesiais pela sua origem, vida e missão. Nascem na Igreja, vivem nela e existem para a missão que a Igreja tem no mundo. Por isso, estes movimentos caracterizam-se pela fidelidade à Igreja universal, através da fidelidade à Igreja particular, e pela fidelidade ao carisma. A autosuficiência de qualquer grupo carismático, será um «suicídio eclesiológico».
Os critérios de eclesialidade para estes movimentos não são específicos deles, antes pelo contrário, pertencem aos critérios de eclesialidade de todas as realidades eclesiais.

Recolheremos os critérios que João Paulo II apontava na Chritifideles Laici:
- primado da santidade;
- confissão íntegra da fé apostólica em obediência ao Magistério;
- comunhão firme e convencida com o Papa, centro perpétuo e visível da unidade universal da Igreja, e com o Bispo, princípio e fundamento visível da unidade na Igreja particular;
- participação na evangelização e santificação da humanidade;
- compromisso social ao serviço da dignidade integral do homem.

A comunhão com a Igreja é um sinal de maturidade cristã, que não se alcança de uma vez para sempre, nem é plenamente satisfatório desde o princípio. É um processo que se deve fazer; um caminho a percorrer; uma meta a alcançar por etapas.
Os novos movimentos eclesiais percorrem este caminho, tornando-se cada vez mais conscientes da necessária inter-relação no interior do Povo de Deus. Não pode ser de outro modo. Enquanto carismas que nasceram no interior da Igreja e que existem para ela, aspiram à plena comunhão eclesial, que chega à sua maturidade quando se explicita na comunhão teológica, afectiva e efectiva com o Bispo diocesano, o que leva a implicarem-se activamente nos programas e objectivos da Igreja local, a porem-se ao serviço do bem comum e a afastarem-se de qualquer falso protagonismo.