13 julho 2005

Movimentos Eclesiais e Catequese - V

Não é só a Igreja pós-Vaticano II, também a sociedade contemporânea da pos-modernidade está a precisar da existência de estas novas realidades eclesiais. Esta sociedade de massas, com falta de intimidade, super-organizada e burocrática, sem gratidão e sem poesia, agressiva e tecnificada, torna difícil a existência das pessoas, incapazes de adaptar-se a um mundo em desenvolvimento permanente, bloqueado na sua afectividade, no seu psiquismo e na sua vontade de conviver.
Os novos movimentos e comunidades oferecem alternativas muito significativas à sociedade pós-moderna, tecnocrata, encerrada no raciocínio científico, que a reveste de consumismo, mas também à Igreja e às grandes religiões históricas, imersas em boa parte, no racionalismo ético-metafísico.
Estes novos movimentos situam-se nesta sociedade de duas maneiras: como fermento na massa e como mediação. Estes novos movimentos, enquanto laicais e peculiarmente seculares, estão chamados impregnar a sociedade do espírito cristão e a ser testemunhas do Senhor, a partir da sua inserção na comunidade humana.

12 julho 2005

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Para que acreditem e tenham vida

Nota da Conferência Episcopal Portuguesa oferece orientações para a catequese actual.

Paganização da cultura obriga a novos métodos catequéticos

Bispos portugueses dão orientações para catequese actual

Durante séculos, num contexto de cristandade, «a comunicação da fé passava quase espontaneamente de pais para filhos. O cristianismo fazia parte do património moral e cultural que se recebia da família e do ambiente. Hoje, porém, a transmissão da fé encontra dificuldades e levanta questões. Parece verificar-se menos abertura à fé tanto da parte das crianças e adolescentes como dos jovens e adultos» - reconhece a Nota da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) intitulada «Para que acreditem e tenham a vida» que oferece orientações para a catequese actual. Este documento da CEP, tornado público hoje mas aprovado na última Assembleia Plenária (23 de Junho), realça também que as dificuldades crescentes «na adesão ao Evangelho estão certamente relacionadas com as profundas transformações sócio - culturais que caracterizam um mundo novo. O modelo tradicional da comunicação da fé foi posto em causa no seio de uma sociedade pluralista, pluricultural, plurireligiosa e secularizada». E acrescenta: «também o racionalismo, a mentalidade científica e tecnológica produzem uma erosão do facto religioso. Estamos diante de uma mudança profunda, em alguns aspectos inédita em relação ao passado, que exige ser reconhecida e interpretada com urgência e lucidez». Perante estes factos, as «Orientações para a catequese actual» sublinham que à medida que a Igreja toma consciência da descristianização do ambiente social procura «responder a esta situação renovando a sua acção pastoral numa perspectiva de evangelização. Face ao alastrar da indiferença religiosa e à paganização da cultura e da vida, não basta manter as tradições e os hábitos cristãos e responder ao pedido de ritos religiosos». Torna-se necessário despertar a fé no «coração das pessoas, converter os baptizados que não conhecem ou não praticam o cristianismo, levar o evangelho aos afastados. É preciso começar a evangelizar pelo princípio, pôr em prática uma nova evangelização» - alerta.A catequese é um momento «estruturante da evangelização». Precisa, portanto, de ter presentes as características «da evangelização no mundo actual e situar-se neste processo com a sua identidade própria e o seu contributo específico». Para se tornarem evangelizadoras, as acções da Igreja devem ser realizadas «de uma forma renovada, em resposta à situação religiosa da nossa cultura. É necessário encontrar caminhos novos que levem ao encontro das pessoas afastadas, ouvir as suas questões e iluminá-las com o evangelho». Nesse sentido a catequese, no contexto da nova evangelização, deve revestir algumas características: «adoptar um caracter missionário procurando assegurar a adesão à fé. Para isso precisa de ir ao encontro da vida real dos catequizandos e de ter em conta as suas questões e experiências de modo a responder-lhes»; «Centrar-se no kerigma, ou seja, na pessoa de Jesus Cristo Ressuscitado e no Seu mistério de salvação. Jesus Cristo deve ser apresentado como Boa Nova, fonte de esperança e de sentido para a vida humana e para as questões das pessoas e da sociedade» e «Convidar constantemente a uma atitude de conversão ao Senhor em ordem ao crescimento na santidade pessoal e ao compromisso com o testemunho do Evangelho no mundo» - revela o Nota. Dividida em 7 pontos, o documento sobre as orientações para a catequese actual sublinha que durante muito tempo consideraram-se as crianças como «os destinatários privilegiados de catequese. Hoje esta actividade pastoral deve dirigir-se a todas as idades, pois todas as idades precisam de ser evangelizadas». Por outro lado, a situação cultural e religiosa da Europa exige a «passagem de uma fé apoiada na tradição social a uma fé mais pessoal e adulta, esclarecida e convicta». Só assim, os cristãos poderão «confrontar-se, criticamente, com a cultura actual e influir, eficazmente, nos vários sectores da vida social: cultura, economia e política» - menciona. Em relação ao papel desempenhado pelos catecismos, a nota veicula que estes são instrumentos para fazer catequese. «Desempenham uma função importante mas não são suficientes. Na verdade, a transmissão da fé assenta em vários outros elementos como o testemunho da Igreja, o exemplo de vida cristã da família e da comunidade local, o percurso pessoal de fé, a comunicação entre o catequista e catequizando, etc. Os catecismos são textos escritos de apoio que precisam de vida. É a comunidade cristã e o catequista quem dá vida ao catecismo».
in www.agencia.ecclesia.pt

Movimentos Eclesiais e Catequese - IV

Perante este fenómeno dos novos movimentos eclesiais e das novas comunidades, e da sua fecunda proliferação pela Igreja universal, podemos afirmar, com João Paulo II, que só é admissível aquela pluralidade que constitui «um hino à unidade».
Este princípio de unidade, que se deve sempre salvaguardar, e que deriva da comunhão na mesma fé, esperança e caridade, obedientes a Cristo e aos Pastores da Igreja; ou seja, pela comunhão no ser e no fazer da Igreja. Está é, indubitavelmente, a melhor chave de classificação dos movimentos, de entre as muitas que se poderia optar.

Objectivos e metodologia
Podemos desde já dizer que todos os movimentos coincidem nos objectivos gerais, que são a vivência experiencial da fé, a vivência em comunidade e o carisma dos seus fundadores. Isto tem como consequência que todos se esforcem por viver a perfeição da caridade, por construir a Igreja no tempo presente, edificando um mundo novo.
Depois, cada movimento, tem a sua peculiaridade, a sua forma específica de realizar estes objectivos. O que distingue um movimento do outro é a forma como cada um realiza os objectivos gerais, como os consegue concretizar.
No que diz respeito ao método, temos de ver que a essência do cristianismo é o acontecimento Cristo e a Sua Igreja: Cristo é o acontecimento original e a Igreja é a sua continuação no espaço e no tempo. O que os novos movimentos pretendem com os seus métodos é possibilitar o encontro com esse Acontecimento.
Se fosse preciso catalogar a metodologia seria catalogada como metodologia do encontro com Cristo, onde tudo o mais perde importância e é relativizado, procurando cada um viver o cristianismo na sua primeiríssima novidade.

Os principais passos desta metodologia são:
- encontro com o Senhor;
- deixar-se olhar pelo Senhor, e reconhecê-lo como Deus e Senhor;
- seguir a Cristo em radicalidade;
- num esforço missionário.
Se repararmos foi esta a metodologia que Cristo utilizou com os seus discípulos.

11 julho 2005

Movimentos Eclesiais e Catequese - III

Este fenómeno de renovação das novas comunidades tem a sua origem no Concílio Vaticano II, que vê na experiência comunitária da Igreja primitiva o modelo e a chave da renovação eclesial, uma vez que as novas comunidades são aqueles lugares nos quais se tem a satisfação de se encontrar, saudar, aceitar e viver como irmãos em Cristo. Para que sejam realmente comunidades eclesiais, Paulo VI na Evangelii nuntiandi, afirma que devem viver alimentadas pela Palavra, unidas à Igreja particular e universal, em comunhão com os seus pastores e comprometidos com o meio. Não devem ser sectárias, devem afastar toda a contestação sistemática e um espírito hiper-crítico.
Esta realidade das novas comunidades não surge por acaso, fundamenta-se em raízes antropológicas, teológicas, eclesiológicas e na Palavra de Deus.

Deste modo:

- Fundamento antropológico. O homem, desde as suas origens, foge da solidão essencialmente porque tem necessidade de intercâmbios e de sociabilidade;

- Fundamento teológico. Deus é um ser pessoal e comunitário, pelo que as novas comunidades, encarnadas nas realidades terrenas, oferecem ao homem e à sociedade o Cristo pascal, e ao realizar-se nelas o prodígio permanente do Pentecostes, contagiam a unidade e a fraternidade universais;

- Fundamento eclesiológico. A Igreja é a realização visível e misteriosa na terra da comunhão trinitária. É, em Cristo, sinal e instrumento da unidade de todo o género humano e da união de todos os homens entre si e com Deus. A Trindade vive na terra, mediante o seu sinal, o seu sacramento, que é a Igreja;

- Fundamento bíblico. Jesus teve claramente a vontade de fazer comunidade. A sua mensagem é claramente comunitária. Veio ao mundo para instaurar o Reino no qual se fizeram reais a paternidade de Deus e a fraternidade universal.

Como conclusão, podemos dizer que estas novas comunidades cristãs podem definir-se como um grupo de cristãos em comunhão eclesial, que partilham o que são, o que têm e o que fazem. Celebram e crescem na fé, abertos à missão, fundamentados no amor, vínculo que os une numa organização evangélica.