30 junho 2005

Uma pedagogia para a Iniciação Cristã - Conclusão

Concluo dizendo que convém ter presente que a catequese de iniciação tem uns objectivos que, para além da socialização religiosa, contempla o desenvolver a graça baptismal, através da evangelização, realizando uma primeira síntese de fé pessoal, a personalização da fé, juntamente com a iniciação sacramental.
Os conteúdos são eminentemente educativos, com o objectivo de desenvolver aqueles recursos humanos que formam o substrato antropológico da vida de fé. Ter-se-á em conta a História Sagrada, apresentando a narração dos acontecimentos e as personagens de uma forma existencial e orante. Também se deve procurar apresentar Jesus Cristo, de forma inicial e sistemática, na totalidade do seu Mistério (Salvador e Redentor). Apresentar-se-á a Igreja e a vida eterna. A iniciação sacramental será também tida em conta, pelo que se apresentam os sacramentos da Igreja e se ensina a participar neles, apresenta-se também a liturgia, dando atenção ao rito, ao sinal, ao símbolo e à representação. Acima de tudo, tendo presente que a liturgia é o catecismo vivo, faz-se a relação entre o que se celebra e o que acredita.

29 junho 2005

Uma pedagogia para a Iniciação Cristã - V

Por último, na coordenada psico-pedagógica vamos ter presente que se trata de uma pedagogia integral e de uma pedagogia da fé.
A pedagogia precisa de ser integral, ou seja, que verse o saber (cognitivo-intelectual), o ser (afectividade, sentimentos e valores) e o fazer (comportamentos). Esta pedagogia precisa de ser equilibrada, na fidelidade ao homem e a Deus (lei da encarnação).
A pedagogia da fé é o modo de acompanhar o catequizando em ordem à profissão de fé, com os critérios próprios da fé. Para isso bebe da pedagogia de Deus e da pedagogia da Igreja. Daqui que não se pode ser mestre e pedagogo da fé dos outros se não se é discípulo convicto e fiel de Cristo na Sua Igreja(cf DGC 142).
Esta pedagogia deve ser considerada como o processo de amadurecimento e de crescimento na fé, desenvolvido de maneira gradual e por etapas; inspira-se, como fonte e modelo, na pedagogia de Deus manifestada em Cristo e na vida da Igreja, e conta com a acção do Espírito Santo na Comunidade e em cada cristão. A comunidade ajuda com o exemplo e a oração para que se dê o passo do homem velho para o homem novo, lutando contra o mal, com a ajuda da graça de Deus, em ordem a fazer a experiência alegre de ser salvo por Jesus Cristo.
A pedagogia catequética deve conseguir alcançar os três objectivos: instruir, transmitindo informação e conhecimentos seguros, transmitindo certezas e convicções; iniciar, levar cada catequizando a transformar-se no homem novo, realizando a conversão de toda a sua personalidade, a conversão do coração; por último deve também educar, ou seja, formar a pessoa e propondo-lhe novos comportamentos conformes à fé que aprende a professar.
Os objectivos, para além da socialização religiosa, são o desenvolver a graça baptismal, através da evangelização, realizando uma primeira síntese de fé, de forma pessoal, a personalização da fé, juntamente com a iniciação sacramental.
Os conteúdos são eminentemente educativos, com o objectivo de desenvolver aqueles recursos humanos que formam o substrato antropológico da vida de fé. Ter-se-á em conta a História Sagrada, apresentando a narração dos acontecimentos e as personagens de uma forma existencial e orante. Também se deve procurar apresentar Jesus Cristo, de forma inicial e sistemática, na totalidade do seu Mistério (Salvador e Redentor). Apresentar-se-á a Igreja e a vida eterna. A iniciação sacramental será também tida em conta, pelo que se apresentam os sacramentos da Igreja e se ensina a participar neles, apresenta-se também a liturgia, dando atenção ao rito, ao sinal, ao símbolo e à representação.
Acima de tudo, tendo presente que a liturgia é o catecismo vivo, faz-se a relação entre aquilo que se reza e aquilo em que se crê.

28 junho 2005

Uma pedagogia para a Iniciação Cristã - IV

Chegou a vez da dimensão espiritual. Convém ter bem presente que a eficácia da catequese é e será sempre um dom Deus, mediante a acção do Espírito Santo, sem o qual não é possível fazer catequese ou qualquer outra acção evangelizadora, por muito elaborados que estejam os planos e por mais sofisticados que sejam os meios humanos e materiais. Sem Espírito nada se consegue, pois o Espírito Santo é o protagonista de toda a missão da Igreja(cf RM 21); é o mestre interior, principal catequista e princípio inspirador de todas as actividades catequéticas.

O Catequista
Convém recordar também o papel do catequista, que é elemento essencial da catequese, o catecismo vivo: enviado pela Igreja, numa comunidade concreta, realiza a sua vocação profética no seu grupo de catequese, onde anuncia, ilumina, persuade, testemunha, colabora com a função da comunidade cristã. Para que haja, pois, iniciação cristã é preciso um iniciador, chamado catequista, que é a alma da catequese. Aquele que é «chamado a ensinar Cristo deve, portanto, antes de mais nada, procurar esse lucro sobreeminente que é o conhecimento de Jesus Cristo. Tem de aceitar perder tudo (...) para ganhar a Cristo e encontrar-se nEle e conhecê-Lo, a Ele, na força da sua ressurreição e na comunhão com os sofrimentos, conformar-se com Ele na morte, na esperança de chegar a ressuscitar dos mortos»(CCE 428). O catequista é, então, uma pessoa de fé profunda, que conhece os mistérios de Deus e vive em plena comunhão com eles, emergido no amor de Deus. Vive-os em Igreja, por isso é dotado de uma clara identidade cristã e eclesial, pelo que nada do que é humano lhe é alheio, logo possui uma profunda sensibilidade social(cf DGC 237). O catequista respeita e vive de «um princípio essencial da visão cristã da vida: o primado da graça»(NMI 38).
Image hosted by Photobucket.com
(c) 2003 - Pedro Nogueira

27 junho 2005

Uma pedagogia para a Iniciação Cristã - III

A coordenada catequética centra a sua atenção no específico da catequese que é o estar ao serviço da iniciação cristã, tendo presente que a fé é um dom de Deus. Esta iniciativa divina e primeira do Pai verifica-se nas palavras e gestos que Jesus Cristo ressuscitado realiza na Igreja, sua Esposa e nossa Mãe, que, sob a acção do Espírito Santo, guia e conduz aqueles que são chamados a entrar na comunhão de vida trinitária.
A Igreja, através da iniciação cristã, manifesta a sua identidade de mãe e, enquanto incorpora o homem a Cristo, incorpora-o no Corpo de Cristo; enquanto gera cristãos, edifica a Igreja, de modo que podemos afirmar que pela iniciação cristã a Igreja gera a Igreja.
A Igreja realiza esta missão através de duas funções pastorais intimamente relacionadas: a catequese e a liturgia. A catequese é um elemento imprescindível da iniciação cristã e está vinculada aos sacramentos de iniciação.
A catequese é, então, uma formação orgânica e sistemática na fé, mas mais que um mero ensino, pois é uma aprendizagem de toda a vida cristã, uma iniciação cristã integral. Ajuda o discípulo de Cristo a transformar o homem velho, assumindo os seus compromissos baptismais e a professar a fé a partir do coração. É ainda uma formação de base essencial, centrada no essencial da experiência cristã, nas certezas mais profundas da fé e nos valores evangélicos mais fundamentais. Habilita o catequizando a receber o sólido alimento posterior, na vida ordinária da comunidade eclesial, à qual também inicia. Ou seja, incorpora na comunidade que confessa, celebra, vive e ora a fé, e dela dá testemunho.
Este itinerário, todo ele eclesial, leva à incorporação efectiva e afectiva do catequizando no Mistério de Deus, e tem no catecumenado baptismal o seu modelo inpirador(cf DGC 90).
Desde os tempos apostólicos, o «tornar-se cristão» exige um caminho de iniciação, com diversas etapas, que pode ser percorrido rápida ou lentamente (cf CCE 1229). E uma vez que é um processo de conversão é essencialmente gradual e cristocêntrico, porque está ao serviço daquele que decidiu seguir Cristo, em ordem à personalização da fé, com a ajuda dos catequistas, que são os testemunhos e pontos de referência, que ajudam a integrar fé e vida, a criar identidade cristã.

Despertar Religioso
A preceder esta etapa catequética de iniciação cristã deve realizar-se o despertar religioso, no seio familiar, onde a criança recebeu os primeiros rudimentos da fé, as breves orações com as quais aprende a dialogar com Deus, desenvolveu os inícios da educação da consciência moral, entre outras. Esta educação cristã é mais testemunhal que instrutiva, mais ocasional que sistemática, não está estruturada em períodos, antes é permanente e quotidiana.

24 junho 2005

Uma pedagogia para a Iniciação Cristã - II

Na dimensão teológica destaca-se que a catequese é um acto de Revelação, de tradição viva, pelo que é inseparável a ortodoxia e a ortopraxis. A catequese tem de ser sempre uma iniciação ordenada e sistemática à revelação que Deus faz de si mesmo à humanidade(cf CT 22). Esta revelação encontra-se na Sagrada Escritura e na Sagrada Tradição(cf DV 8). A catequese, como um acto de transmissão da Revelação, deve acomodar-se ao modelo divino de se revelar, que o faz por obras e palavras intimamente unidas(cf DV 2), e tem o seu ponto culminante em Jesus Cristo. A Jesus Cristo, o homem de todos os tempos, pode aceder-se pela fé transmitida na Igreja, sob a acção do Espírito Santo, tal como a comunidade a recebeu, compreende, celebra, vive e a comunica (cf DGC 105).
De facto, o objectivo da catequese é proporcionar ao catequizando as condições necessárias para, sob a acção do Espírito Santo, chegar à a profissão de fé(cf DGC 66), íntegra e total. Para que isso seja possível, a catequese deve transmitir os sete elementos básicos: as três etapas da história da salvação (dimensão narrativa) e os quatro pilares da fé (dimensão expositiva). Aqui vemos a importância da Sagrada Escritura e do Catecismo da Igreja Católica. A catequese não é outra coisa que a transmissão vital e significativa dos documentos da fé( cf MPD 9), pelo que se pode agrupar em quatro, as linguagens de fé: doutrinal, litúrgica, orante e testemunhal.
Na transmissão da fé, a linguagem é algo imprescindível, a que devemos prestar atenção(cf DGC 208; CT 59). Jesus Cristo não se identifica em exclusiva com nenhuma cultura ou sistema de pensamento, mas revelou-se numa linguagem concreta. Foi certamente uma linguagem original e também normativa para qualquer outra linguagem que pretenda ser veículo da transmissão da Revelação.